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Rota das emoções: as melhores praias do Nordeste

Uma viagem pelas melhores praias do Nordeste é o tipo de sonho acalentado por muita gente, desejosa de praia, sombra (de palmeiras) e água fresca (de coco, de preferência). E se essa vida mansa ainda vier acompanhada de um buggy descendo dunas impecavelmente brancas de areia, melhor ainda. Se você gosta da ideia, já existe um roteiro pronto só com as praias mais bonitas da região que é absolutamente inesquecível: a Rota das Emoções, que compreende o trecho que vai dos Lençóis Maranhenses até Jericoacoara, no Ceará, passando pelo litoral do Piauí – mais especificamente, pelo Delta do Parnaíba.

O nome “emoções” não é marketing; pelo contrário: a rota tem como principal diferencial o fato de boa parte do seu percurso (se não quase todo ele) ser feito no melhor estilo off road, seja de buggy, jardineira (o famosos “pau-de-arara”, para os aventureiros), jipe, barco, jangada e até cavalo, se você quiser. Aqui, o modo “com emoção” está sempre ligado!

Buggy em Jericoacoara: com emoção ou sem emoção? (Crédito da foto Clarissa Donda)

Buggy em Jericoacoara: com emoção ou sem emoção? (Crédito da foto Clarissa Donda)

Mas o fato é: fazer a Rota das Emoções é o tipo de viagem cujas recordações a gente leva para a vida. Embora os atrativos naturais mais famosos e esperados sejam lugares como Lençóis Maranhenses ou Delta do Parnaíba, há uma série de pequenas cidadezinhas e praias escondidas no meio do caminho que são uma delícia de serem descobertas – e aqui neste post a gente faz um apanhadão de dicas das praias mais bonitas do percurso para ajudar na sua viagem!

Como se organizar

Você pode fazer a viagem partindo tanto de São Luís, no Maranhão, como de Fortaleza, no Ceará – há tours e transportes indo nos dois sentidos. Boa parte dos tours são oferecidos com agências, e se a sua praia for rústica, mas sem o sacolejo da estrada, é possível contratar poderosos jipes 4×4 que fazem a viagem com conforto, mas saiba que o preço é proporcional. Por outro lado, você não se preocupa com nada: todo o deslocamento e hospedagem é por conta da agência, e a você fica só cabe a “difícil” tarefa de escolher qual o grau de FPS do protetor solar.

Quem começa a Rota das Emoções por Jericoacoara se depara com essa "vida difícil" na Lagoa do Paraíso (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Quem começa a Rota das Emoções por Jericoacoara se depara com essa “vida difícil” na Lagoa do Paraíso (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Mas também dá para fazer a viagem de forma mais barata – e aí o jeito é pegar o transporte que os locais pegam – e que é também uma experiência riquíssima, já que o mais interessante da Rota das Emoções é mesmo conhecer de perto a realidade do povo de cidadezinhas tão pequenas.

Outra dica: de janeiro a junho é época de chuva nessa região. Em julho, começa a temporada de seca e em outubro e novembro, a de vento – deixe para ir nesses meses se você pratica kite e wind-surf. Já para ter mais chances de ver as lagoas dos Lençóis Maranhenses cheias, mas com dias sem chuva, o ideal são os meses de julho a agosto.

Pontos altos da viagem

Jericoacoara

A vila de Jeri, para os íntimos, já está famosa e badalada, e faz valer a pena cada minuto das sete horas de viagem desde Fortaleza para chegar lá. Recomenda-se pelo menos três dias para curtir o máximo da vida mansa que Jeri tem de sobra, mas se você é do time do wind-surf, pode considerar ficar mais tempo – as pousadas de Jericoacoara são deliciosas.

Jeri, para os íntimos, é o point dos windsurfistas (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Jeri, para os íntimos, é o point dos windsurfistas (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Jeri cresceu muito nos últimos anos, mas não perdeu a ternura: a vila é toda “pé na areia”, e à noite ganha vida com músicas de forró nos barzinhos e um cheiro delicioso emanando dos restaurantes.

Cenário da Lagoa de Jijoca de Jericoacoara, que também atende pelo nome de Lagoa do Paraíso. Pela foto, percebe-se o porquê! (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Cenário da Lagoa de Jijoca de Jericoacoara, que também atende pelo nome de Lagoa do Paraíso. Pela foto, percebe-se o porquê! (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Anote dois programas obrigatórios: visitar a Lagoa do Paraíso (acredite: assim que você chegar lá você vai saber o porquê do nome) para ficar de vida mansa nas redes à beira-mar; e subir a famosa duna do pôr do sol, que recebe esse nome exatamente por ser o melhor “mirante” da cidade para ver o sol encostar no mar. Se o hábito de bater palmas para o pôr do sol surgiu em algum lugar, eu acredito que tenha sido por ali.

As dunas de areia branquinha são um dos cenários mais marcantes de Jeri e da rota (Crédito da foto: Clarissa Donda)

As dunas de areia branquinha são um dos cenários mais marcantes de Jeri e da rota (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Camocim

As águas de um turquesa refrescante e os barcos coloridos são a marca registrada de Camocim, que também tem praias deliciosas. Se puder, estique dois dias e se hospede por lá, pelo menos, para poder conhecer a Praia de Tatajuba, onde a areia engoliu a casa dos pescadores, mas deixou espaço para a prática de kite-surf, feito em águas verdinhas, verdinhas!

Barquinhos coloridos e mergulhos refrescantes: prepare para ter muitas fotos assim em Camocim (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Barquinhos coloridos e mergulhos refrescantes: prepare para ter muitas fotos assim em Camocim (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Quer uma dica de praia no Nordeste que é uma verdadeira joia escondida? Vá para a Barra dos Remédios, onde as águas do rio encontram as do mar com dunas branquíssimas de testemunha. Um remédio para curar qualquer desejo de praia!

Barra Grande

Curiosidade: Piauí é o estado brasileiro que tem o literal mais curto do país – mas o que tem, é bonito que só. A maior prova disso é a pequena e rústica vila de Barra Grande, que já foi descoberta por estrangeiros do mundo todo. O motivo é o kite-surf: Barra Grande é considerada uma das “mecas” para a prática do esporte na América do Sul, e é só ir para lá em outubro e novembro (meses da “bufa”, quando o vento está mais forte) para ouvir só alemão e inglês sendo falado entre os hóspedes das charmosas pousadinhas.

Em Barra Grande, o ponto alto está no mar, com seus ventos fortes e o seu balé de kitesurf até o sol se pôr (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Em Barra Grande, o ponto alto está no mar, com seus ventos fortes e o seu balé de kitesurf até o sol se pôr (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Por causa do esporte, várias pousadas abriram no local (a minha preferida é a BGK – Barra Grande KiteCamp, onde os quartos estão em bangalôs suspensos por entre coqueiros, de frente para o mar). Assim como Jeri, Barra Grande também é “pé na areia” e famosa: já saiu na Vogue como um dos melhores réveillons do país.

Depois disso, você nunca mais vai desprezar promoções de passagens de avião para o Piauí.

Taiti? Havaí? Não, Piauí! (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Taiti? Havaí? Não, Piauí! (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Parnaíba

Mais curiosidades: só há três rios no mundo com foz em delta em mar aberto – o Nilo (Egito), o Mekong (Sudeste Asiático) e o Parnaíba, nosso rio brasileiro e 100% nordestino. Por isso, fazer uma parada na cidade piauiense de Parnaíba é coisa obrigatória na sua viagem: considere se hospedar em Parnaíba por duas noites, e fazer o passeio de barco pelo delta: a vegetação é lindíssima, e você tem a oportunidade de ver de perto os manguezais – e, consequentemente, os catadores de caranguejos do mangue, uma das principais atividades econômicas na região.

Os restaurantes de Parnaíba são famosos pelos seus pratos à base de caranguejo (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Os restaurantes de Parnaíba são famosos pelos seus pratos à base de caranguejo (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Dica: se você for fazer o passeio de barco, deixe para ir na parte da tarde, quando é possível ver a revoada de guarás, sempre ao pôr do sol: são pássaros vermelhos típicos da região que, sempre ao final do dia, voam até se recolher, todos, pousados em uma mesma árvore. É um dos espetáculos naturais mais belos do rio.

Atins

Essa vila pequenininha fica no Maranhão é escondida e exige algumas horas de viagem por mar e por areia para chegar até lá. Ah, também não tem sinal de celular em Atins, diga-se de passagem. Mas, se dizem que os melhores segredos são os mais escondidos, Atins não foge à regra: fica aqui o melhor camarão da país – ou, no meu caso, da minha vida –, servido em um restaurante pequenininho e caseiro, do tipo que você tem que chegar, fazer o pedido, e voltar horas depois para comer.

O nome é Camarão da Luzia, simples assim: é a Luzia, ela própria, a senhorinha responsável pela cozinha e pelo camarão que é preparado com uma receita secreta.

Dona Luzia, a simpática dona da receita secreta do melhor camarão do mundo (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Dona Luzia, a simpática dona da receita secreta do melhor camarão do mundo (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Só pelo camarão da Luzia, eu diria que já vale a pena você encarar as horas de estrada até lá, mas se só isso não for motivo para te convencer (ou se você precisa fazer alguma coisa enquanto o prato não chega), Atins tem várias lagoas para se refrescar do sol, e descobri-las é uma aventura em si.

Assim como Barra Grande, Atins entrou para o radar do kite-surf internacional, e as pousadas da pequena vila lotam de turistas gringos nos meses de vento.

Lençóis Maranhenses

Dispensa comentários, né? 🙂 Mas mesmo assim, a gente comenta: os Lençóis já encantam pelas fotos de dunas brancas e perfeitas, e confirmam toda a beleza quando a gente chega lá. Faça sua base e se hospede em Barreirinhas, e contrate guias (sempre em 4×4) para levá-lo até as lagoas. Vale só lembrar que agora em julho e agosto é uma boa época para ir aos Lençóis, pois é o fim da temporada de chuva – e, portanto, as chances de as lagoas estarem mais cheias é bem maior. Se não der certo e você só puder ir em novembro, que é temporada de seca (e se a estiagem for grande, algumas lagoas podem desaparecer), a dica é seguir para a Lagoa da Esperança – que, assim como o nome, é a última que morre! (Brincadeirinhas à parte, é verdade: A Lagoa da Esperança é perene, e é a chance de dar um mergulho refrescante se calhar de você não ir em época de cheia)

Brincadeirinhas à parte, essa lagoa não seca e garante um mergulho refrescante - e fotos bonitas - mesmo na época de seca! (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Brincadeirinhas à parte, essa lagoa não seca e garante um mergulho refrescante – e fotos bonitas – mesmo na época de seca! (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Em tempo: antes dos Lençóis Maranhenses propriamente ditos, há uma região de pequenas dunas de areia levemente amareladas, que são chamadas de Pequenos Lençóis (mas que eu gostei mesmo foi do nome que rola na boca do povo: Fronhas). É possível fazer um passeio de barco saindo de Barreirinhas ao longo do rio Preguiças, e ir parando em diferentes pontos das dunas. Eu recomendo: o passeio é lindo! 🙂

O passeio é lindo, especialmente se você for na parte da tarde: a vista para o Rio Preguiças rende belas fotos! (Crédito da foto: Clarissa Donda)

O passeio é lindo, especialmente se você for na parte da tarde: a vista para o Rio Preguiças rende belas fotos! (Crédito da foto: Clarissa Donda)

E o que mais tem na Rota das Emoções?

O vento típico que rola por essa parte da costa atrai muitos praticantes de kite-surf e wind-surf, mas mesmo quem não pratica os esportes não vai ficar sem ter o que fazer. Quase todas as “paradas” da Rota das Emoções que valem a pena tem alguma atividade aquática envolvida – nem que seja a de simplesmente se espreguiçar numa praia de rio ou de mar, ou fazer passeio de barco. Aliás, a travessia de rios é uma atividade constante para quem faz a Rota das Emoções, e existe para todos os tipos de velocidades: desde as jangadas movidas a remo quanto as “voadeiras”, barcos rápidos a motor que atravessam o rio.

Atravessar o rio em jangadas - é ou não com emoção? (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Atravessar o rio em jangadas – é ou não com emoção? (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Com tanto passeio de barco, de buggy, e tanta praia entre um e outro, a experiência mais intensa, mesmo, da Rota das Emoções é o contato com a natureza e com as comunidades locais – e, talvez, esta seja a parte mais enriquecedora da viagem.

Isso vale para experiências simples, como conhecer o encontro de rios e lagoas, onde podemos ver de perto cavalos-marinhos (manejados de uma forma que não afeta o equilíbrio natural desse ecossistema) até visitar, em Parnaíba, a Associação de Rendeiras Nordestinas, responsáveis por trabalhos manuais únicos – e que dependem muito do turismo e das suas compras para aumentarem sua renda!

Conhecer de perto as rendeiras é imergir em uma parte fundamental da cultura do Nordeste (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Conhecer de perto as rendeiras é imergir em uma parte fundamental da cultura do Nordeste (Crédito da foto: Clarissa Donda)

E, principalmente, o que a Rota das Emoções mais tem é vento no rosto e belíssimas praias, para todos os gostos e estilos. Minha última dica seria: não viaje com pressa. Dez dias é o mínimo para fazer a viagem de uma ponta a outra (embora, pessoalmente, acho que super vale a pena passar mais tempo). E só depois que você voltar é que você vai ver que essa viagem pelas praias mais bonitas do Nordeste não foi só uma viagem: foi uma experiência inesquecível.

Se é com emoção? Ô se é.

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Clarissa Donda

Author chez Viajando - Expedia Brasil
Jornalista, marqueteira digital e curiosa por fotografia e por histórias inusitadas pelo mundo, que conta no seu blog, o Dondeando por aí (http://dondeandoporai.com.br/). Hoje mora em Londres com suas duas gatinhas, vive com uma mochila nas costas, já publicou um livro, plantou uma árvore, anda de patinete ao invés de bicicleta porque é mais divertido e escreve sobre novidades "in loco" da Europa para vários veículos.
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