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Praias da Bretanha: uma linda viagem de carro pelo norte da França

Uma das apostas mais comuns de quem planeja uma viagem para a França que vá além de Paris é conhecer o litoral sul do país, em especial a cidade de Nice, famosa pela praia azul, público chiquérrimo e agenda badalada. Mas a região da Bretanha, na parte norte, que acabou ficando em segundo plano nessa “corrida” turística e recebe bem menos visitantes, poderia muito bem receber o título de “melhor segredo escondido” da França. Com um litoral todo recortado que desenha belíssimas e pequenas praias escondidas, a região é cheia de histórias também: há uma “teoria” que diz que o famoso reino de Camelot, com o Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda, tem suas raízes, na verdade, em solo bretão, na França, e não na Inglaterra – agora, imagine a briga entre os dois países por conta dessa história!

Mas a briga mesmo é só no papo: a Bretanha é uma região de pura paz – e, diga-se de passagem, é um passeio delicioso para se fazer de carro, especialmente para quem visita a Europa agora nos meses de verão.

O mar da Bretanha forma praias deliciosas no norte da França (Crédito da foto: Clarissa Donda)

O mar da Bretanha forma praias deliciosas no norte da França (Crédito da foto: Clarissa Donda)

 

Eu fiz essa viagem em um quente mês de agosto, época em que o norte da França está ensolarado e com um céu bem bonito, o que faz as paisagens serem ainda mais encantadoras. Super recomendo: com o aluguel de uma diária de carro é possível percorrer as praias bretãs, visitar pequenas e simpáticas cidadezinhas francesas, com casinhas construídas em pedras, e as belas cidades fortificadas de Saint-Malo (que era um dos pontos de defesa franceses contra possíveis ataques vindos do mar, especialmente da Inglaterra) e ainda experimentar um pouco da deliciosa gastronomia bretã, famosa pelas cidras, mexilhões e tortas de limão. Ah, vale dizer que é um passeio barato, também – um ótimo incentivo para quem quiser conhecer um lado da França que vai muito além do que Paris tem a oferecer.

Dê uma olhada nesse roteiro e, se quiser, siga por ele de carro quando visitar a região (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Dê uma olhada nesse roteiro e, se quiser, siga por ele de carro quando visitar a região (Crédito da foto: Clarissa Donda)

O que esperar das praias

O mar da Bretanha tem uma peculiaridade bonita: suas águas são verdes, o que fez com que um trecho da sua costa fosse apelidado de côte d’emerald, ou Costa Esmeralda.

Mas não se engane: as águas são frias, pelo menos para os nossos padrões brasileiros. Por isso, prepare-se para um banho gelado e para uma experiência diferente da nossa: o acesso às praias é feito por carro e, às vezes, por pequenas trilhas. Vale a pena levar sua própria “cestinha” de comida para passar o dia, já que muitas praias – especialmente as mais bonitas e escondidas – não contam com nenhum tipo de vendedor ou quiosque. Isso, porém, não chega a ser um problema: você pode parar no caminho em qualquer uma das charmosas mercearias francesas e comprar ali mesmo frutas, sucos, pães e deliciosos queijos e patês, que dispensam apresentações e rendem muitos elogios. Só tem que lembrar de recolher o lixo com você quando o “piquenique” acabar, ok?

Outro aviso importante: as marés regem bastante o tipo de passeio que você vai fazer. Por isso, uma dica é começar o dia cedo, para aproveitar a praia antes (ou depois) de as águas subirem. E isso é sério: não raro, a gente depara com uma praia longa e larga, cheia de barcos “encalhados”, ótima para caminhar – mas de onde a gente tem que voltar correndo porque, em 15 minutos, a água que estava lá longe já começa a bater no meio da canela!

Parecem encalhados, certo? Errado! Cuidado com a maré! (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Parecem encalhados, certo? Errado! Cuidado com a maré! (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Saint Malo

Uma dica é começar pela cidade de Saint-Malo, que é, inclusive, de onde saem as ferries que ligam a França à Inglaterra. A cidade é antiga e cheia de histórias, e uma visita à parte fortificada da cidade é obrigatória: paredões de pedra protegem um forte construído há séculos, mas que hoje perdeu os ares de guerra para dar lugares a cafés simpáticos, restaurantes charmosos (se você chegar de manhã verá a entrega dos mariscos frescos para serem preparados no dia) e histórias esquisitas.

A cidadezinha de Saint Malo é cheia de detalhes charmosos e interessantes (Crédito da foto: Clarissa Donda)

A cidadezinha de Saint Malo é cheia de detalhes charmosos e interessantes (Crédito da foto: Clarissa Donda)

 

Uma delas é que todas as noites, nas épocas medievais, todos os portões eram fechados e cães famintos eram soltos pelo forte, para guardá-lo de possíveis invasores que resolvessem se aventurar pelos muros – até hoje, o emblema de cães é exibido em pequenos detalhes da cidade.

O mito dos cães que guardavam a cidade ainda faz parte das ruas de Saint Malo (Crédito da foto: Clarissa Donda)

O mito dos cães que guardavam a cidade ainda faz parte das ruas de Saint Malo (Crédito da foto: Clarissa Donda)

 

Outra dica de passeio curioso em Saint-Malo: não deixe de visitar o Le Cafe du Coin, um café decorado com quase três mil bonecas antigas (isso mesmo!) e um pelicano empalhado (mais uma vez, isso mesmo!). O visual do café é meio assustador, parece cenário de um filme de terror… E é por isso mesmo que você tem que visitar!

 

É meio assustador, mas vale a pena tomar um cafézinho no Le Cafe Du Coin (Crédito da foto: Clarissa Donda)

É meio assustador, mas vale a pena tomar um cafézinho no Le Cafe Du Coin (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Mas, vamos às praias: a praia de Saint-Malo está do lado de fora dos paredões de pedra, e é gelada, brava e bonita – com o tempo bom, dá para ver os contornos da costa inglesa do outro lado do mar.

Dinard

Saindo de Saint-Malo, vale a pena virar para a direita, onde está a simpática cidade de Dinard (se você estiver dirigindo, não se preocupe: a estrada é super bem sinalizada). Saint Malo está entre Dinard e Cancale, mas vale a pena fazer esse desvio em vez de seguir para essa última: Dinard é cheia de praias de areia finas e paisagens de sonho. A dica é ir na praia central, a Plage de l’Écluse, cheia de pequenas vilas e com uma estrutura charmosa de barracas de sol listradas em branco e azul – mais gostinho de França, impossível. Não é exagero, nem clichê (ops, uma palavra francesa!) dizer que a praia tem um “visual” diferente; ela é tão fotogênica que foi imortalizada por Picasso em uma de suas telas: Baigneuses sur la Plage. Fica a dez minutos de carro de Saint Malo e é ótima para famílias, especialmente com crianças pequenas!

Rota até Cancale

Agora, saindo de Dinard, desligue o GPS (que costuma indicar as rotas mais centrais, por dentro) e aposte nos mapas impressos, escolhendo as estradas que levam de Dinard até Cancale, mas que sejam mais próximas do mar (uma dica: siga as plaquinhas que indicarem o caminho até a cidade de Rotheneuf).

 

Esqueça o GPS: dirija com calma pela costa em direção a Rothenauf para ver paisagens como essa (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Esqueça o GPS: dirija com calma pela costa em direção a Rothenauf para ver paisagens como essa (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Rotheneuf é uma vila pequenininha e charmosa, de onde você consegue ir a pé até algumas praias escondidas e deliciosas. Essa, aliás, é uma constante nas praias da Bretanha: as melhores são aquelas escondidas pelo litoral recortado e pedregoso do litoral francês, que escondem areias brancas, uma belíssima paisagem verde ao redor e pouca (ou quase nenhuma) gente. Menos badalada e muito mais intimista que as agitadas praias ao sul da França.

 

A partir daqui, e até Cancale, a dica é esquecer o relógio e se perder dirigindo pela estrada ao longo da costa, parando em todos os caminhos de praia que você vir pela frente. Praias com casarões, encostas de montanhas e barcos abandonados pelo mar dão a tônica do passeio – do jeito único que as praias bretãs têm de encantar.

Pont du Groin

De Cancale, siga para a Pont du Groin, que o nome já diz tudo: é uma ponta de terra cercada de um mar lindo e paredões escarpados de pedra ao redor. A dica é aproveitar que, a essa hora, você já deve estar com fome e parar em qualquer um dos restaurantes ao redor, charmosos e com uma bela vista para o mar (nos menus, é claro, a grande especialidade são os frutos do mar!). Dali, de barriga cheia e olhos encantados, aproveite para dar uma caminhada pelo mirante natural da região – garantia de fotos lindas!

 

Mais calmaria e natureza adiante: não deixe de parar em Point Du Groin (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Mais calmaria e natureza adiante: não deixe de parar em Point Du Groin (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Mont Saint Michel

Para fechar com chave de ouro, saindo da Pont du Groin, em quase uma hora e meia você chega a Mont Saint Michel, já na Normandia. É o segundo ponto turístico mais famoso e visitado da França, depois da Torre Eiffel. Ali, esqueça o clima de paz e pouca gente que você estava vendo até então nas cidadezinhas bretãs, bem como os bons preços: Mont Saint Michel é cheio de turistas, e com preços à altura.

O cartão postal aqui é mais conhecido e lotado de turistas, mas vale dar uma esticadinha em Mont Saint Michel (Crédito da foto: Clarissa Donda)

O cartão postal aqui é mais conhecido e lotado de turistas, mas vale dar uma esticadinha em Mont Saint Michel (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Mas é uma chance e tanto de fazer um passeio combinado com outro, e terminar seu dia de praia em um hotel com vista para o monte – ou, ainda, em um hotel lá dentro mesmo, e sentir como se estivesse viajando no tempo, perdido em uma cidade medieval. Aliás, Mont Saint Michel tem histórias fantásticas: mas que, como outras que são contadas na Normandia, ficam para um outro post! 🙂

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Clarissa Donda

Author chez Viajando - Expedia Brasil
Jornalista, marqueteira digital e curiosa por fotografia e por histórias inusitadas pelo mundo, que conta no seu blog, o Dondeando por aí (http://dondeandoporai.com.br/). Hoje mora em Londres com suas duas gatinhas, vive com uma mochila nas costas, já publicou um livro, plantou uma árvore, anda de patinete ao invés de bicicleta porque é mais divertido e escreve sobre novidades "in loco" da Europa para vários veículos.
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