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O melhor da Cidade do Cabo

A Cidade do Cabo é fascinante e talvez você já tenha ouvido isso. É linda, charmosa e cheia de ginga. É também barata e moderna. Por lá come e bebe-se bem. É urbana, é praiana, é montanhosa. A parte ruim? Tem desigualdade social e é violenta. Recomendam que mulheres não andem sozinha na rua ao escurecer e que os turistas não ostentem. Mas, tomando os devidos cuidados é provável que todos sairão ilesos de lá.

Difícil escolher “o melhor” da cidade, pois há muitos “melhores”. São inúmeros cafés, lojas descoladas, restaurantes que passeiam por todos os tipos de cozinha, praias de areia branca, bares, casas de shows, além de abrigar também um dos maiores festivais de jazz do mundo anualmente em abril. A cidade respira música, é jazz, é música eletrônica, é rock. Tudo feito com qualidade. A Cidade do Cabo também foi eleita por alguns a cidade mais criativa do mundo. Elogios não faltam.

É, puro encanto em Cape Town

É, puro encanto! Essa sou eu curtindo o momento em Devils Peak

E é difícil também falar sobre o “melhor” quando o tempo por lá foi curto. Ela merece mais atenção e mais tempo para poder desbravá-la. Então o melhor aqui é o “meu melhor”. O que vi e vivi na cidade que tanto me fascinou.

A moeda é rands identificada apenas pelo R e o câmbio R$ 1 = R 4,40. É possível pagar praticamente tudo com cartão de crédito. Caso vá levar dinheiro para trocar, a boa pedida é preferir dólar americano.

A cidade não tem um meio de transporte eficaz, por isso o melhor é alugar um carro, caso você encare direção à esquerda, ou usar Uber, que funciona bem e é bem barato (o X). O centro é relativamente pequeno, mas tem tudo que precisa.

Caso você seja a pessoa que gosta de ter uma visão geral da cidade em cima de um rop on rop off, tem disponível para você rodar a Cidade do Cabo. A partir de R 70.

Não há voos diretos do Brasil. É necessário ir até Joanesburgo e voar de lá para a Cidade do Cabo, numa viagem de 2h15 de duração.

Onde ir?

Quem gosta de um bom café irá se deleitar na Cidade do Cabo. Eles tem uma cultura forte de café e tem uma lista imensa para explorar. O meu favorito foi o Truth Coffee, considerado pela Telegraph UK o melhor café do mundo. O lugar chama atenção por todos os detalhes, da decoração ao atendimento e comida. O steampunk é o que domina o amplo espaço com mesas compartilhadas. Ótima opção para um brunch, mas prepare-se porque é concorrido. Fica no centro da cidade: 36 Buitenkant St, Cape Town City Centre, Cape Town

O passeio básico é subir no topo da Table Mountain, de onde se tem a vista mais bonita da cidade com visão 360º. O topo tem 1.086m de altura e para chegar nele é possível ir de teleférico. Os mais animados podem escalar. A montanha é vista de qualquer lugar da cidade e é magnífica. Caso vá de teleférico recomenda-se comprar o ticket online para não enfrentar filas e verificar se está aberta para visitação, pois a visibilidade precisa estar boa. O melhor é pegar um uber pra chegar lá no pé da montanha. Ingressos: R 240 subida e descida.

Vista da Table Mountain (Foto: Lalai Persson)

Vista da Table Mountain (Foto: Lalai Persson)

Visitar o belo Company’s Garden fica na área central da cidade e é o principal parque da Cidade do Cabo. O jardim foi criado originalmente em 1650 e abriga a South African National Gallery, que conta sempre com boas exposições. Lá tem também um café e um restaurante. 19 Queen Victoria St, Cidade do Cabo. Diariamente das 7 às 19h.

Você deve se lembrar da Mabu Vinyl caso tenha assistido Searching for Sugar Man. O documentário, lançado em 2012, colocou a loja de volta no mapa e hoje ela está na lista das melhores do mundo. Foi na loja que toda a história que deu origem ao documentário nasceu, nas mãos de um dos sócios da loja, Stephen “Sugar” Segerman. 2 Rheede St, Gardens (relativamente perto do Company’s Garden)

O District Sixth Museum mostra o que rolou no bairro quando a segregação racial começou em 1966. É possível fazer tour guiado por um membro de família que foi vítima desta época. 25A Buitenkant Street Cape Town. Horários: Segunda a sábado, das 9 às 16h. Ingressos: R 30 entrada ou R 45 com tour guiado.

A experiência do Addis in Cape (Foto: Lalai Persson)

A experiência do Addis in Cape (Foto: Lalai Persson)

Na região central as ruas principais são a Long, Bree e Strand Street. A Long Street é cheia de lojas típicas, bares e restaurantes, mas vale atenção redobrada caso ande nela à noite. Mas é ali ao lado que fica um dos restaurantes mais deliciosos que já fui, o etiopiano Addis in Cape. É super típico com cadeiras e mesinhas baixas, onde é servida toda a comida pedida pelo grupo num tipo de cesta bem aberta e ampla. Ela vem em potes e é despejada em cima de uma massa fina, que lembra um pouco uma panqueca. E é com esse tipo de massa que você come pegando os alimentos com a mão. Claro que antes o garçom muito simpático vai lavar suas mãos com água quente diretamente na mesa. Não deixe de encerrar o almoço com o café da casa, que é saboroso e vem acompanhado de pipoca salgada. Ótima experiência e os preços são surpreendentes, cerca de R$ 38 o prato degustação com 6 opções e uma taça de vinho. 41 Church Street, Corner Long & Church Street, Centro. Segunda à sábado, das 12 às 22h30. Não abre aos domingos.

Prato do restaurante Addis Cape (Foto: Lalai Persson)

Prato do restaurante Addis in Cape (Foto: Lalai Persson)

O bairro Gardens, próximo ao Centro e aos pés da Table Mountain, é super charmoso e praticamente residencial, mas por lá há vários tesouros gastronômicos escondidos entre as Bree Street e Kloof Street. Um deles é o Black Sheep comandado pelo chileno Jorge, a simpatia em pessoas. O lugar é pequeno, moderno e aconchegante, além de concorrido. Reserve uma mesa para não dar com a cara na porta. O menu tem opções com peixes, carnes e aves. Se puder, experimente o avestruz, que foi a melhor pedida da mesa. A seleção de vinhos é também incrível. O prato mais caro custa R 165 (cerca de R$ 40). Não falei que a cidade é barata? 104 Kloof St, Gardens. Reservas: info@blacksheeprestaurant.co.za. Horários: Segunda a partir das 18h30, Terça a sábado aberto para almoço e jantar, das 12 às 23h. Não abre aos domingos.

É na Cidade do Cabo que fica o melhor restaurante da África do Sul, o The Test Kitchen, que tem longa fila de espera para conseguir reservar uma mesa podendo chegar a 6 meses. Tentamos, mas não foi desta vez. A cozinha, comandada pelo chef inglês Luke Dale-Roberts, é internacional e feita com os melhores ingredientes sul-africanos. Fica no bairro de Woodstock dentro de um charmoso shopping (com lojas a céu aberto). 375 Albert Road, Shop 104 A, The Old Biscuit Mil. Reservas: +27 21 4472337.

Ali também fica o Pot Luck Club, irmão mais novo do The Test Kitchen e um pouco mais acessível, também comandado pelo chef Luke Dale-Roberts. Por lá é mais fácil conseguir uma mesa, mas é necessário reservar com antecedência. 6, The Silo, The Old Biscuit Mill, 373-375 Albert Rd, Woodstock. Reservas: +27 21 4470804.

V&A Waterfront: shopping ao ar livre na Cidade do Cabo

V&A Waterfront: shopping ao ar livre na Cidade do Cabo

O V& A Waterfront é um shopping à beira-mar com várias lojas bacanas (tem até a H&M) e ótimas opções de restaurantes, mas com várias áreas abertas. Vale uma visita por lá, que é também um cartão postal da cidade. Caso seja sábado, não deixe de conhecer o Farmer’s Market Oranjezicht, que estava na minha listinha, mas não rolou ir. Caso consiga, não deixe de experimentar o potjekos, prato bem típico local que é feito à base de carne vermelha e preparada com legumes num caldeirão. É possível encontrar versão vegetariana e é de chorar de tão saboroso. Já nos demais dias a boa pedida é o Food Market, onde experimentei um delicioso wrap de frango com molho Cape Malay, que é uma espécie de curry, mas mais suave. Pegue seu wrap e suba para o andar superior para comê-lo acompanhado de um bom vinho branco. Já falei que é tudo muito barato? Prepare-se para gastar uns R$ 20 com tudo. V & A Waterfront, Granger Bay.

A Cidade do Cabo é uma das grandes capitais do jazz e lugar bom para ouvir ao vivo não falta, mas o The Crypt é com certeza uma ótima surpresa. Ele fica na cripta de uma igreja no Centro da Cidade e um bom lugar para ouvir jazz e jantar, já que a noite por lá começa cedo. É imperdível! 1 Wale Street, St. George’s Cathedral. Terça a sábado, das 19 à 0h. Show de jazz ao vivo, das 20h às 23h. Há cobrança de couvert no valor de R 85 (cerca de R$20).

Caso queira esticar há dois bons bares no Centro também, o Tjing Tjing ou no Arcade, frequentado por locais. Tjing Tjing: 165 Longmarket Street. +27 (0)21 422 4920. Terça a sexta, a partir das 16h. Sábado, a partir das 18h30. Arcade: 152 Bree Street (esquina Pepper Street). Segunda a sábado, a partir das 11h30. Reserva de grandes grupos aqui.

Não deixe de passear pela costa litorânea da cidade: Green Point, onde é possível sentar num bar com vista para o mar e assistir ao belo pôr do sol; Camps Bay, que tem uma vista incrível e é um bairro com casarões e a cadeia de Picos Doze Apóstolos, que faz parte da Table Mountain, como cenário aos fundos. Por ali há diversos bons restaurantes e não há muito como errar.

Pôr-do-sol em Green Point (Foto: Lalai Persson)

Pôr-do-sol em Green Point (Foto: Lalai Persson)

Ao sul da Cidade do Cabo tem Devil’s Peak, outra cadeia de montanhas recortada por uma estrada estreita e o mar. É uma das estradas mais lindas em que já passei. Dali vale a viagem até Cabo da Boa Esperança. Há vários lugares para parar durante a viagem, por isso vale separar um dia. Nós fomos pela M65 e voltamos pela M4, assim pudemos conferir a incrível paisagem dos dois lados da península. E não deixe de passar em Boulders Beach, a praia dos pinguins, que estava bem movimentada no dia que fui. De pinguins, claro.

Caso tenha mais tempo na cidade, não deixe de visitar Stellenbosch, capital da região vinícola do país. É linda, charmosa e com ótimas opções gastronômicas. A viagem da Cidade do Cabo para lá também é de tirar o fôlego. Não deixe de visitar a vinícola Delaire Graff State, que tem um restaurante com uma varanda e vista de cair o queixo. É provavelmente a vinícola mais bonita e chique da região, mas a surpresa veio mesmo com a degustação de vinho que custou menos de R$ 20 (ou R 75) para 5 taças de vinho de 150ml.

A garantia que dou é que você vai voltar da Cidade do Cabo querendo ir pra lá de novo.

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Lalai Persson

Lalai Persson

Autora chez Viajando - Expedia Brasil
Lalai Persson é DJ e produziu festas por 5 anos em São Paulo, trabalhou por 10 anos com publicidade, é uma das co-fundadoras da agência Remix Social Ideas, além de ser curadora da área de música de eventos como youPIX e Campus Party. É blogueira desde o início de 2000 e em 2013 criou o Chicken or Pasta, site de lifestyle de viagens. Atualmente está na estrada sempre que possível.
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