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Myanmar e seus tesouros

Myanmar, ou Burma, ou Birmânia… o país que trocou de nome. Em 1948 teve sua independência do Reino Unido, quando era ainda “União da Birmânia”. Em 1989 o país era comandado pelos militares e decidiu que passaria a se chamar “União de Myanmar”, que não foi reconhecido pelos Estados Unidos e Reino Unido. Em 2009, há poucos anos, mudou para “República da União de Myanmar”, que passou a valer oficialmente em 21 de Outubro de 2010. E essa é apenas uma das mudanças que não param de acontecer por lá.

Vila flutuante em Inle Lake (Foto: Lalai Persson)

Vila flutuante em Inle Lake (Foto: Lalai Persson)

Até 2011 o país esteve sob dominação ferrenha militar e entrar lá não era uma tarefa fácil. Depois da queda da ditadura, o país entrou num frenético avanço ao abrir suas fronteiras, e passou a integrar as hot list de destinos para visitar.

Myanmar aos poucos busca seu lugar ao sol. Recebeu desde sua abertura mais de 9 bilhões de dólares de investimentos externos. Hotéis começaram a surgir e a lotar, o que causou mais de 350% de aumento nas tarifas. O cartão de crédito, que até 2014 não valia muito coisa, passou a ser aceito na maioria dos lugares. Até a Internet já é facilmente conquistada antes mesmo de sair do aeroporto e a conexão não deixa a desejar.

Phaungdawoo Pagoda, a maior de Inle Lake (Foto: Lalai Persson)

Phaungdawoo Pagoda, a maior de Inle Lake (Foto: Lalai Persson)

O país coleciona vários motivos para visitá-lo. Eu o visitei no início de 2015 e tenho certeza de que ele já não é mais ou mesmo. A capital Yangon ainda sofria (talvez sofra ainda) com a extrema pobreza, esgoto a céu aberto, mas ainda assim já era fascinante para quem soubesse como descobri-la, já que a tarefa ainda não é tão simples.

A maioria das pessoas que visitam o Myanmar contratam pacotes para explorá-la. Caso o seu perfil não seja “aventureiro”, talvez essa seja a melhor opção. Eu passei duas semanas por lá por conta própria e me virei muito bem.

Cenário maravilhoso e tradicional dos céus do país

Cenário maravilhoso e tradicional dos céus do país

Myanmar é predominantemente budista, então prepare-se para ver monges em todas as esquinas. Eles são gentis, risonhos e muito simples. Por isso, caso vá fotografa-lo, não deixe de dar uma gorjeta pela gentileza. Eles nunca irão pedir, pois não podem, mas ficarão felizes, já que vivem de doações.

O birmanês ama futebol e se esforça bastante em Inglês para se comunicar com os turistas. Quer conquistá-los? Fala que é do Brasil. Eles vão falar a escalação completa do Brasil na última Copa do Mundo (não que a gente tenha muito o que se orgulhar dela, não é mesmo?). O povo é simples, sorridente, falante e generoso.

Mercado em Nyaungshwe (Foto: Lalai Persson)

Mercado em Nyaungshwe (Foto: Lalai Persson)

Muitos se viram no inglês, mas dependendo do lugar em que estiver, vai ter que se virar com sinais e imagens na Internet, já que o ideograma birmanês não consta no vocabulário do celular, então não dá para traduzir nada. Bagan foi onde ouvi as pessoas falando inglês melhor (muitos falam perfeitamente), incluindo as crianças, que tem que se virar enquanto segue turistas nos templos e vai contando as histórias do local, para conseguir uma gorjeta no final. E elas são adoráveis. É bom sempre ter bons trocados no bolso. Notas de 100 kyats já são de grande serventia.

Os destinos mais comuns em Myanmar são Bagan, Inle Lake e Mandalay, mas há muito além deles. Bagan é um dos lugares mais lindos que já visitei na vida. É uma área quase deserta onde se espalham mais de 2.000 templos e pagodas. Os vilarejos são super simples e a boa pedida é pegar os grandes hotéis, que possuem uma estrutura completa de tudo que precisamos, do café da manhã ao jantar e, quem sabe, uma piscina para refrescar o calor senegalês, ops, birmanês, que rola lá.

Para quem for explorar Bagan, a minha recomendação é ter no mínimo quatro noites, pois tem bastante coisa para ver. O imperdível, porém, é fazer um passeio de balão e ver o pôr-do-sol de um dos templos/pagodas na Old Bagan. Eu escolhi a Shwe Sandaw Pagoda, uma das mais concorridas. Para conseguir um bom lugar, o ideal é chegar pelo menos uma hora antes do sol começar a descer. E vale a pena, porque a vista é de cair o queixo! Caso esteja por conta própria, como eu, vale reservar um táxi para ir te buscar após o “evento”. Isso pode ser feito diretamente com ajuda do seu hotel. Eu não me preocupei com isso e tive que voltar à cavalo, que foi a única alternativa que sobrou (mas foi um passeio belíssimo).

O pôr do sol em Bagan

O pôr do sol em Bagan

Para fazer o passeio por Bagan, eu aluguei uma motinho de baixa cilindrada e penei um pouco, já que eu não sou uma exímia motorista em qualquer veículo que tenha apenas duas horas, especialmente quando parte do caminho é de areia. Mas os hotéis oferecem passeios com guias, que podem ser uma boa opção.

Não deixe de pedalar por Nyaung-U, onde fica o Mani Sithu Market, um mercado local bem rústico ótimo para comprar artesanato e produtos locais; e Old Bagan, que tem um mercado gigante a céu aberto, onde até móveis para casa é possível comprar. Ali se aglomeram pequenos restaurantes. O meu favorito foi o The Moon (Be Kind to Animals), vegetariano, que mistura diversas cozinhas do mundo com um toque “birmanês”, que o chef vai aprendendo com os clientes que passam por lá. Endereço? Não tem… mas fica ao “norte” do Templo Ananda, um dos principais de Bagan. Por lá não há como sair sem experimentar o prato mais típico do país: a salada de chá verde (tea leaf salad) e os ótimos sucos refrescantes que eles fazem.

Eu me hospedei no Amazing Bagan Resort, que tem uma boa estrutura e uma ótima cozinha. Os quartos são amplos e arejados, o café da manhã é um dos melhores que já tive, o serviço é impecável, além deles resolver qualquer coisa que você queira fazer na cidade. A única ressalva é que ele é afastados das “cidades”, então para sair à noite é necessário táxi, lembrando que para voltar, é necessário agendar para não ficar na rua e ter que voltar a pé. Mas recomendo por tudo que ele oferece e também pelos valores.

O pescador

O pescador (Foto: Lalai Persson)

Inle Lake é daqueles lugares que parecem ter saído de um conto de fadas. Ele uma área de 116km2, onde vivem cerca de 80.000 pessoas. É surreal! É também um dos lugares mais bonitos que já visitei na vida.

É o lugar perfeito para relaxar, comer bem e ouvir boas histórias. É lá que ficam os famosos “pescadores bailarinos”. Para chegar nele é necessário voar até Heho, pegar um motorista para levá-lo até Nyaungshwe, onde tem o canal que leva até o lago Inle. Muitos se hospedam na cidade e fazem os passeios durante o dia pelo lago, que eu recomendo pegar passeio privado para fazer no seu tempo. Eu optei em ficar uma noite hospedada num dos resorts à beira do lago, o Amata Garden Resort, que o único pecado é não ter uma piscina, mas tem um ótimo bar e um ótimo restaurante, o café da manhã é super generoso e a vista é belíssima.

A beleza de Inle Lake está em seus vilarejos flutuantes, onde existem plantações, fábricas, escolas, restaurantes, pagodas, estupas e até um monastério. Para conhecê-lo vai ser necessário no mínimo um dia inteiro com um guia, o único jeito de percorrê-lo. E se deixe levar nas atrações que seu guia escolher. As visitas à fábrica de seda e prata valem muito à pena. O restaurante também vai ser seu guia que vai escolher e tá tudo bem. Não pense, apenas curta tudo de belo que ele vai te mostrar e as histórias que ele vai te contar.

Eu, Lalai, tentando ficar em pé na motoca (Foto: Renato Salles)

Eu, Lalai, tentando ficar em pé na motoca (Foto: Renato Salles)

Vale ficar uma noite no lago (eu até sugiro ficar duas) e duas noites na cidade. Por lá eu fiquei no View Point, restaurante super fofo e aconchegante, comandado por um suíço, que tem uma das melhores cozinhas da cidade. Deixe-se perder em suas ruelas, mercados. Entre nas portinhas abertas, tome cerveja gelada sentado na calçada e explore a boa gastronomia local. Quem sabe, faça até um curso de culinária na Bamboo Delight. Quem gosta de esportes, pode procurar as boas opções de caminhadas pela região. Lugar para bater perna não falta.

Yangon também vale a visita, mas muitos ainda se assustam com a capital. Porém, ela tem muita coisa para explorar. Para saber mais, confira os pequenos guias que fiz de Bagan e Inle Lake. E prepare-se. Não esqueça de providenciar o visto, as passagens aéreas internas, os olhos e o coração para abrigar tanta beleza.

Myanmar é daqueles lugares que a gente vai uma vez e quer voltar quantas vezes forem necessárias.

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Lalai Persson

Lalai Persson

Autora chez Viajando - Expedia Brasil
Lalai Persson é DJ e produziu festas por 5 anos em São Paulo, trabalhou por 10 anos com publicidade, é uma das co-fundadoras da agência Remix Social Ideas, além de ser curadora da área de música de eventos como youPIX e Campus Party. É blogueira desde o início de 2000 e em 2013 criou o Chicken or Pasta, site de lifestyle de viagens. Atualmente está na estrada sempre que possível.
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