Guia completo: tudo sobre Machu Picchu

Viajar para Machu Picchu virou sonho de consumo de alguns anos para cá – mais especificamente desde que a cidade perdida dos incas foi alçada à categoria de Maravilha do Mundo, na votação mundial de 2007.

Existem por aí destinos que ganham fama, mas não arrebatam o coração dos visitantes; esse definitivamente não é o caso de Machu Picchu: as ruínas ainda impressionam além das fotos – é como se o santuário emanasse uma energia boa, à qual não dá para ficar indiferente e que a gente faz a gente ter a sensação íntima de que está visitando um lugar importante.

Os encantos da cidade perdida dos incas dispensam maiores apresentações. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Os encantos da cidade perdida dos incas dispensam maiores apresentações. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Eu tive a chance de ir até lá duas vezes: a primeira em 2008 e a segunda em 2014, e o encanto foi o mesmo. Isso também me ajudou a comprovar uma teoria: especialmente por causa da localização do santuário e da história que o cerca, planejar uma viagem a Machu Picchu exige uma atenção especial à logística, que pode ser o diferencial para você aproveitar ao máximo o seu roteiro.

E é para te ajudar nisso que eu fiz essa relação de dicas espertas, com um roteiro completo em Machu Picchu; tudo mastigado para você pensar sua viagem com carinho!

Planeje os dias: Pintou um feriadão de 4 dias que você pensou em aproveitar para conhecer Machu Picchu, já que é “logo ali” na América do Sul? Pois acredite: é muito pouco tempo. Considere pelo menos 5 dias inteiros (sem contar a data de chegada e saída) para a dobradinha Cusco e Machu Picchu.

Seu roteiro pode ter até 7 dias, se quiser incluir Lima também (o que é altamente recomendado, já que a capital peruana tem o fantástico Museu Larco, que dá uma belíssima introdução à história dos povos pré-colombianos, e é um dos melhores pólos gastronômicos do mundo). E, dizendo isso, estou resumindo ao máximo: acho que o país merece tranquilamente uma viagem de 20 dias, já que tem tanto o que conhecer no Peru.

Machu Picchu foi toda construída em granito, e uma das teorias é que, com a ação contínua da erosão, a cidade evoluiria para chegar a ser completamente branca, como esta pedra. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Machu Picchu foi toda construída em granito, e uma das teorias é que, com a ação contínua da erosão, a cidade evoluiria para chegar a ser completamente branca, como esta pedra. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Mas, voltando ao nosso roteiro: reserve pelo menos 4 dias (5 é o ideal) para Cusco, considerando ainda que esse período inclui um pernoite na cidade de Águas Calientes, que é a cidadezinha que fica mais próxima do santuário e onde vale a pena pernoitar pelo menos uma noite para chegar a Machu Picchu bem cedinho (há a opção de fazer um bate-volta de Cusco sem o pernoite, mas não é muito recomendado, já que o tempo em que você vai ficar na cidade dos incas será bem curtinho!).

De olho no calendário: Prefira viajar entre abril e outubro (sendo que em maio o tempo está lindo e em junho acontece o Inti Raimi, a festa do Sol, uma celebração típica que remonta à cultura dos quechuas). Evite a todo custo os meses de dezembro a fevereiro, que é época de chuvas na região e podem acontecer deslizamentos.

Vá para Cusco primeiro: Muito se fala da dobradinha Cusco-Machu Picchu. Combinar as duas cidades não só é necessário por questões logísticas, mas também faz todo o sentido para entender como era a história dos povos andinos e dos incas. Posso dar uma dica? Ao organizar seus dias, planeje ficar em Cusco primeiro, pelo menos por três dias, para só depois seguir caminho para Machu Picchu. Há duas grandes vantagens em fazer isso: a primeira é que você ganha tempo para se “aclimatar” e se acostumar com a altitude. Cusco está a 3,4 mil metros do nível do mar e, não raro, a gente sente o famoso soroche, o mal de atitude. Para se adaptar, beber muita água, evitar a pressa e lançar mão das famosas balas de coca ajudam no processo.

Além das lhamas, Cusco tem muita história para contar. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Além das lhamas, Cusco tem muita história para contar. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

A segunda razão é poder fazer um tour pela cidade de Cusco, que era a capital do império Inca antes da chegada dos espanhóis. São dois passeios, em especial, que são bastante recomendados: um é o City Tour (que talvez seja um dos melhores que eu já fui) que leva às ruínas de Saqsaywaman, um enorme templo do povo quéchua e dá dimensão do tamanho que tinha esta civilização; e ao Qoricancha, um antigo templo religioso. O outro tour leva ao Valle Sagrado, que tem paisagens belíssimas e onde é possível conhecer a fofa cidade de Ollantaytambo.

Você pode ver um roteiro do que fazer em Cusco aqui, mas, é claro, também dá para deixar isso tudo para depois de conhecer Machu Picchu.

As ruínas de Saqsaywaman também são espetaculares. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

As ruínas de Saqsaywaman também são espetaculares. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Fique atento aos trens e à logística: Só há duas formas de chegar a Machu Picchu. Se você está com joelhos e disposição em dia, há a alternativa mais roots da Trilha Inca, que leva dias e é um trekking intenso, percorrendo as trilhas antigamente usadas pelos quéchuas para chegar a Machu Picchu (e é também a que garante algumas das vistas mais privilegiadas do local). A segunda e mais óbvia opção é por trem, que liga as cidades de Cusco e Ollantaytambo até Águas Calientes, a última estação de trem mais próxima de Machu Picchu. A viagem é linda, com paisagens belíssimas… E, claro, com limites de vagas e restritas aos horários de chegada e saída dos trens. Por isso, a dica de comprar os bilhetes com antecedência é importante – senão decisiva – para sua viagem dar certo.

As simpáticas lhamas não servem como meio de transporte; para chegar, você precisa ir a pé ou de trem. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

As simpáticas lhamas não servem como meio de transporte; para chegar, você precisa ir a pé ou de trem. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Há trens direto de Cusco, mas cujos assentos se esgotam mais rapidamente. Uma alternativa é ir a Ollantaytambo com um dos city tours que saem de Cusco e, de lá, pegar o trem para Águas Calientes. Só fique atento para comprar os bilhetes com antecedência – inclusive os de volta – e aos horários de chegada e saída dos tours, para não correr o risco de chegar no meio do caminho e não ter mais trem para voltar.

As passagens podem ser compradas pela internet.

Prefira as “pontas” do dia: Um bate-volta de Cusco a Machu Picchu é factível, mas você vai perder boa parte do seu dia no trem, tanto na ida quanto na volta – e, na prática, vai aproveitar três horinhas corridas no santuário. Quando a energia boa começar a fluir, pimba! É hora de voltar. Não dá, né?

As melhores horas para tirar selfies, como a desta lhama, são o começo e o fim do dia. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

As melhores horas para tirar selfies, como a desta lhama, são o começo e o fim do dia. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Então fica um aviso: Machu Picchu fica melhor mesmo é bem no início e no final do dia, próximo aos horários de abertura e fechamento do parque. E é por isso que pernoitar em Águas Calientes é uma boa alternativa: você já está quase no “pé” do santuário, pode chegar lá nos primeiros horários da manhã (acorde cedo, viu!) e ter Machu Picchu quase todo para você – antes mesmo de chegarem os primeiros trens com as hordas de turistas vindos de Ollantaytambo e Cusco.

O mesmo vale para o final da tarde: se você saiu cedo direto de Cusco, seu horário de chegada em Águas Calientes é, na melhor das hipóteses, em torno de meio dia. Ou seja, o parque estará no seu horário mais cheio de turistas. Se você tiver hotel reservado em Águas Calientes para pernoitar e voltar a Cusco no dia seguinte, pode esticar no santuário até o fim da tarde e, com sorte, ver o pôr do sol – mais energia, impossível!

Chegou o dia do passeio? Contrate um guia: Se você é um viajante independente, que não gosta de guias e prefere explorar o mundo com seu livrinho debaixo do braço, resista à tentação: contrate um guia mesmo assim.

Pode acreditar: um guia vai te ajudar muito no passeio e te contar coisas que não estão em livro nenhum. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Pode acreditar: um guia vai te ajudar muito no passeio e te contar coisas que não estão em livro nenhum. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Machu Picchu é cheio de história, e um guia local dá um contexto e explicações que eu não encontrei em nenhum dos livros que eu tinha lido. Por experiência própria, eu recomendo muito: como fui duas vezes, na primeira vez fiz a visita por conta própria, e só na segunda tive um guia acompanhando. Posso dizer que a experiência é incomparável.

O que visitar por lá: Pronto, você cuidou de toda a logística da viagem, e finalmente chegou a Machu Picchu! Agora é aproveitar, né?

Esta cabaninha é parada obrigatória para tirar fotos dos ângulos mais incríveis. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Esta cabaninha é parada obrigatória para tirar fotos dos ângulos mais incríveis. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Então: logo na entrada do santuário, você já terá uma vista privilegiada das ruínas, e nem vai precisar exigir muito do joelho para tirar uma boa foto – sim, porque Machu Picchu é cheinha de escadas! Mas, se você quiser garantir a “foto de Facebook” clássica que todos os turistas têm, suba os “andares” de cultivo próximos à entrada do santuário até uma “cabaninha” que fica no topo: é dali que estão os melhores ângulos.

A ponte inca é um passeio bem bacana e que não exije muito do físico dos turistas. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

A ponte inca é um passeio bem bacana e que não exije muito do físico dos turistas. (Crédito da foto: Clarissa Donda)

Desse mesmo local, ainda próximo aos campos de cultivo, sai a trilha para a ponte inca, que leva alguns minutinhos e não é muito difícil – é quase toda plana e contorna um precipício. Não é uma trilha “tem-que-fazer”, mas é cheia de história: foi por ela que saíram os últimos habitantes de Machu Picchu – ou, por assim dizer, os que “apagaram a luz ao sair”, escondendo os vestígios do acesso à cidade para que ela permanecesse perdida na floresta e jamais fosse encontrada pelos espanhóis. Funcionou, pelo visto: Machu Picchu só foi descoberto novamente em 1911 por um explorador americano.

Quem tiver o joelho bom pode fazer a trilha para o Huayna Picchu, a montanha que fica em frente à cidade de Machu Picchu – e cujo passe para entrada deve ser reservado com muita antecedência, porque há um limite de visitantes por dia. A subida é puxada e leva mais de uma hora, mas tenho amigos que já fizeram e garantem: cansa, mas não precisa ser atleta para isso. E, de lá de cima, dá para ter um visual panorâmico maravilhoso de todo o entorno de Machu Picchu. Vale a pena, nem que seja só para a foto – a vista lá de cima você confere na foto principal deste post, lá em cima.

No mais, aproveite a cidadela: não deixe de conhecer a Praça Sagrada, que tem uma acústica fantástica e é onde os antigos imperadores faziam discursos, o Templo do Sol e a Pedra Sagrada. E não se assuste se você voltar de lá mais “leve”, digamos: não terá sido só mérito do exercício de subir e descer para lá e para cá – é a tal energia superpoderosa de Machu Picchu comprovando que é, ainda, o melhor souvenir de viagem que a gente poderia querer trazer de lá!

Clarissa Donda
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Clarissa Donda

Author chez Viajando - Expedia Brasil
Jornalista, marqueteira digital e curiosa por fotografia e por histórias inusitadas pelo mundo, que conta no seu blog, o Dondeando por aí (http://dondeandoporai.com.br/). Hoje mora em Londres com suas duas gatinhas, vive com uma mochila nas costas, já publicou um livro, plantou uma árvore, anda de patinete ao invés de bicicleta porque é mais divertido e escreve sobre novidades "in loco" da Europa para vários veículos.
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