Fim de semana cultural no Rio de Janeiro

As praias cariocas sempre é o que vem à mente quando arrumo as malas para ir para o Rio de Janeiro, porém a cidade não tem apenas seu belo litoral como atração principal. O Rio é uma cidade culturalmente rica, onde é possível passar uma semana inteira visitando galerias, museus e centros culturais sem sequer ter tempo de um banho de mar (quer dizer, para isso a gente sempre arruma uma brecha, mesmo que ela seja ao amanhecer para revigorar a alma e trazer aquela energia boa necessária para curtir uma maratona cultural na cidade).

Selecionei alguns lugares imperdíveis para quem for passar um fim de semana no Rio e mudar a rota para curtir esse lado cultural, que pode surpreender bastante quem se entregar a ele.

O belo jardim do Instituto Moreira Salles

O belo jardim do Instituto Moreira Salles

Instituto Moreira Salles: um ótimo lugar para começar o dia é tomando um bom café da manhã no IMS, situado na Gávea. O instituto fica numa bela casa construída na década de 1950, onde morou a família Moreira Salles, projetada por Olavo Redig de Campos e um belo jardim planejado pelo Roberto Burle Marx. Possui um amplo acervo de fotografia com cerca de 800 mil imagens que abarcam quase todo o século XX, música com um repertório de 80 mil fonogramas, literatura com arquivos pessoais de Otto Lara Resende, Erico Veríssimo, Clarice Lispector, entre outros, e iconografia. Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea. Horários: Terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 11 às 20h. Entrada gratuita.

Inaugurado no final de 2015, o Museu do Amanhã é uma boa pedida no Rio, pela sua arquitetura e proposta de conceito artístico provocativo

Inaugurado no final de 2015, o Museu do Amanhã é uma boa pedida no Rio, pela sua arquitetura e proposta de conceito artístico provocativo

Museu do Amanhã: o museu não completou ainda seu primeiro ano e tenta responder questões complexas como “de onde viemos?”, “quem somos?”, “onde estamos?”, “para onde vamos?” unindo o passado, presente e futuro em sua proposta. É um museu focado em ideias, que fascina pela sua arquitetura arrojada assinada pelo espanhol Santiago Calatrava. Ele usa a arte, ciência e tecnologia para mostrar as possibilidades do amanhã. Vale muito a pena a visita por dentro e por fora. Endereço: Praça Mauá, 1, Centro. Horários: Terça a domingo, das 10 às 17h (devido à grande movimentação, o encerramento das filas pode ocorrer até 4h antes do fechamento da bilheteria). Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Gratuito às terças.

Museu de Arte do Rio (MAR)

Museu de Arte do Rio (MAR)

Museu de Arte do Rio (MAR): Inaugurado em 2013, o museu ocupa dois edifícios também na Praça Mauá, um deles o Palacete Dom João VI, erguidos na primeira metade do século XX e atualmente tomado. O MAR traz mostras que ressaltam os principais movimentos artísticos do século XXI, além de ter também um acervo próprio com documentos sobre a cidade, cartões-postais, fotografias e mais de 300 obras de arte. Além de exposições, o museu também abriga shows de música, conferências, palestras, oficinas. Endereço: Praça Mauá, 5, Centro. Horários: Terça a domingo, das 10 às 17h. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Gratuito às terças.

Interior de bonita arquitetura do Centro Cultural Banco do Brasil

Interior de bonita arquitetura do Centro Cultural Banco do Brasil

Centro Cultural Banco do Brasil: o CCBB fica no Centro do Rio num charmoso prédio neoclássico construído em 1906. A programação abrange artes visuais, música, conversas, cinema e teatro, além de uma boa livraria com uma ótima coleção de livros de artes, fotografia, cinema. Atualmente abriga a incrível exposição “ComCiência – Patricia Piccinini”, que fica em cartaz até dia 27.06. Vale sempre espiar a programação. Endereço: Rua Primeiro de Março, 66, Centro. Horários: Quarta a segunda, das 9 às 21h (não abre às terças). Gratuito.

Espaço Municipal de Arte Hélio Oiticica

Espaço Municipal de Arte Hélio Oiticica

Espaço Municipal de Arte Hélio Oiticica: o lugar não é novo, mas chamou atenção recentemente pela polêmica causada pela obra artista Rafucko feita para a Copa do Mundo, que foi considerada racista. Fundada em 1996, o espaço abrigou até 2009 parte do acervo das obras de Hélio Oiticica. Atualmente rolam exposições temporárias, palestras, seminários, cursos e projetos de pesquisa dedicados à produção artística contemporânea. O prédio tem três andares com seis espacos expositivos, dois mezaninos, duas salas multiuso, sala de pesquisa, auditório com 100 lugares e um café. Endereço: Rua Luis de Camões, 68, Centro. Horários: Segunda, das 12 às 20h; Terça, das 10 às 18h; Quarta, das 12 às 20h; Quinta, das 10 às 18h; Sexta, das 12 às 20 e Sábado, das 10 às 18h. Gratuito

Museu de Arte Moderna (MAM)

Museu de Arte Moderna (MAM)

Museu de Arte Moderna (MAM): o MAM foi criado em meados do século XX e é uma das principais instituições culturais brasileiras. O prédio modernista tem 130m de comprimento e 25m de largura, representando um marco na arquitetura brasileira com projeto assinado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy e projeto de paisagismo de Roberto Burle Marx. O museu possui um amplo acervo de arte moderna com 11.000 obras com pinturas e esculturas de artistas como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Lasar Segall, Portinari, Lygia Clark, Helio Oiticica e Di Cavalcanti. Além das exposições temporárias, o museu abriga também uma biblioteca, café, livraria, espaço para shows e também uma cinemateca. Caso esteja na maratona cultural, aproveite para almoçar no Laguiole (abre somente de segunda a sexta para almoço, das 12 às 17h), restaurante de comida contemporânea com cardápio assinado pelo chef (revelação 2015) Elia Schramm, mas prepare o bolso). Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo. Horários: Terça a sexta, das 12 às 18h, e sábado, domingo e feriado, das 12 às 19h. Ingressos: R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia); Cinemateca R$ 8. Gratuito às quartas-feiras após às 15h

Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas: além de oferecer uma vista incrível da cidade, o Parque das Ruínas reúne uma ampla programação cultural, que inclui artes visuais, artes cênicas, música, dança e cinema. As Ruínas fica num antigo palacete, que outrora pertenceu à uma das maiores mecenas de artes do Rio de Janeiro, Laurinda Santos Lobo. A propriedade ficou abandonada por décadas e em 1994 foi adquirida e reformada pela Secretaria Municipal de Cultura. Hoje o palacete é sustentado por estruturas de ferro e vidro contrastando com os tijolos aparentes originais da construção. O lugar por si só já vale a visita. Aproveita que está em Santa Teresa e visite também o Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, que fica num belo casarão e abriga uma programação variada, além de oficinas diversas. Endereço: Rua Murtinho Nobre, 169, Santa Teresa. Horários: Terça a domingo, das 8 às 18h. O valor dos ingressos varia de acordo com a programação, mas não há cobrança para entrar no local.

Museu Internacional de Arte Naïf: tem a maior coleção de arte naïf do Brasil contando com um acervo de cerca de 5.000 obras de artistas nacionais e internacionais, do século XV aos dias atuais. A primeira exposição, O Mundo Fascinante dos Pintores Naïfs, aconteceu em 1988, com 171 obras, no Paço Imperial. Na época chegou a atrair 70.000 visitantes num período de 3 meses. A histórica começou a partir de um acervo partiular de Lucien Finkesltein que cedeu seu acervo e não mediu esforços para que o MIAN viesse a existir. Em 1994 foi adquirido o belo casarão, onde hoje se encontra o museu, e em 1995 a Fundação Lucien Finkelstein transformou-se na sede do museu. Atualmente o museu abriga 5 exposições, todas elas focadas na arte naïf no Brasil. Endereço: Rua Cosme Velho, 561, Cosme Velho. Horários: Terça a sexta, das 10 às 18h e Sábado e Domingo, das 10 às 17h. Ingressos: R$ 6 e R$ 12.

Fora do Centro da Cidade

Museu Casa do Pontal: fica distante do centro, mas quem conhece, diz que vale a “viagem” até o Recreio. O museu existe há 40 anos e é um dos maiores de arte popular do país contando com 8.500 peças de 300 artistas brasileiros, produzidas a partir do século XX. O acervo é resultado de pesquisa e viagens por todo o país do designer francês Jacques Van de Beuque. A exposição permanente traz obras representativas das varias culturas rurais e urbanas do Brasil apresentadas tematicamente com atividades cotidianas, festivas, imaginárias e religiosas. É um verdadeiro espaço antropológico, que permite uma visão abrangente da vida e da cultura do brasileiro. Endereço: Estrada do Pontal, 3295, Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro. Horários: Terça a sexta, das 9h30 às 17h, sábado, domingo e feriado, das 10h30 às 18h. Ingressos: de R$ 2 a R$ 12 de acordo com a exposição.

Além dos lugares citados, o Rio de Janeiro tem várias galerias de artes, centros culturais, livrarias e também uma biblioteca pública, provavelmente uma das mais bonitas do Brasil, para visitar.

Museu Casa do Pontal

Museu Casa do Pontal

Galerias e outros museus de arte que valem a visita:

  • Real Gabinete Português de Leitura: foi fundada em 1837 e é com certeza uma das bibliotecas mais bonitas do Brasil (se não a mais bonita). O edifício atual foi construído entre 1880 e 1887, sendo a pedra fundamental lançada por Dom Pedro II. É dedicada à literatura portuguesa como diz o nome e foi fundada por um grupo de de 43 imigrantes portugueses. Infelizmente só abre durante dias úteis. Bairro: Centro.
Vista do Museu da Chácara do Céu

Vista do Museu da Chácara do Céu

  • Museu da Chácara do Céu: o museu abriga arte europeia, brasileira, além da incrível coleção Brasiliano, com mapas antigos, pinturas e ilustrações da paisagem e pessoas no Brasil do século XIX. Possui uma biblioteca que conta com 8 mil volumes entre livros de arte, literatura brasileira e europeia, além de importantes publicações dos primeiros viajantes do século XIX. Bairro: Santa Teresa.
  • Galeria Nara Roesler: é uma das principais galerias de arte contemporânea do Brasil com espaços em São Paulo, Rio e em Nova York. Bairro: Ipanema.
  • Galeria de Arte Ipanema: existe desde 1965 e trabalha com alguns dos principais nomes do Modernismos brasileiro como Di Cavalcanti, Portinari, Volpi, Guignard e Iberê Camargo. Bairro: Ipanema.
  • Galeria Silva Cintra + Box4: tem mais de 20 anos de mercado e é especializada em arte contemporânea. Representa nomes como Almicar de Castro, Miguel Rio Branco, Nelson Leiner, Leda Catunda, Daniel Senise, entre outros. A Box4 é uma galeria fundada em 2006 por Juliana Cintra, filha de Silvia, com foco em novos artistas. Bairro: Gávea.
  • Galeria Anita Schwartz: inaugurada em 1998, ocupa atualmente um espaço de 3 andares com 700m2, permitindo abrigar exposições de maiores proporções. A galeria trabalha com grandes nomes como Nuno Ramos, Arthur Lescher, e também nomes emergentes na arte brasileira. Bairro: Gávea.
Galeria Anita Schwartz

Galeria Anita Schwartz

  • Luciana Caravello Arte Contemporânea: tem como objetivo reunir artistas com trajetórias, conceitos e poéticas variadas, refletindo dessa maneira a diversidade na Arte Contemporânea. Bairro: Ipanema.
  • Museu do Inconsciente: museu incrível escondido em Engenho de Dentro, fora do circuito turístico carioca, mas que vale a visita caso tenha um tempo a mais para passar na cidade. Inaugurado em 1952 no Centro Psiquiátrico Pedro II, o museu foi criado para preservar as obras produzidas pelos pacientes. Bairro: Engenho de Dentro.

Livrarias bacanas:

  • Livraria Cultura: fica dentro do Cine Vitória, desativado há mais de duas décadas. Bairro: Centro.
  • Livraria da Travessa: tem uma ótima seleção de livros de fotografia, artes, cinema, arquitetura, literatura. Dá para gastar horas lá dentro e vontade de levar tudo. Há dois anos ganhou uma filial em Botafogo, que anda super concorrida e conta com um agradável café. Bairros: Ipanema, Botafogo, Leblon e Barra da Tijuca.
  • Alfarabi: é restaurante, galeria e sebo. Fica num casarão centenário e tem também programação musical. Vale a visita. Bairro: Centro.
  • Livraria Berinjela: quem adora um sebo, pode anotar o Berinjela, que além de ter um bom acervo e os livros sempre em ótimo estado. Por lá também rolam bons bate-papos. Bairro: Centro.

Autor

Lalai Persson

Lalai Persson é DJ e produziu festas por 5 anos em São Paulo, trabalhou por 10 anos com publicidade, é uma das co-fundadoras da agência Remix Social Ideas, além de ser curadora da área de música de eventos como youPIX e Campus Party. É blogueira desde o início de 2000 e em 2013 criou o Chicken or Pasta, site de lifestyle de viagens. Atualmente está na estrada sempre que possível.

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