Dicas para não errar ao planejar sua viagem à América do Sul

Já pensou quantos roteiros fabulosos existem aqui do nosso lado? É até difícil elencar os “mais mais”. Se não sabe por onde começar a organizar essa grande viagem, abaixo você encontra algumas dicas, conselhos e devaneios de alguém que já cometeu quase todo tipo de trapalhada que um viajante pode pensar em cometer.

Não vai dar tempo

Outro dia um leitor me perguntou: “tenho 20 de férias e estou pensando em conhecer Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia e Peru”. Minha reação logo foi “desculpe te desapontar, mas não vai dar tempo”.

O diálogo seguiu por mais alguns minutos com ele tentando argumentar que na Europa é possível conhecer vários países em poucas semanas. Sim, lá é possível. Apesar de não concordar muito com essa metodologia de viagens expressas, eu sei que muita gente acaba encaixando destinos bem distintos em um roteiro de 20 dias pelo velho continente. Mas por aqui na América do Sul são outros quinhentos.

Por isso eu já começo com essa dica primordial: é impossível esgotar todos os destinos surpreendentes do nosso continente em uma única viagem. A não ser que ela dure uns 365 dias 😛

O que me leva para o próximo ponto…

Vida local no lago Titicaca no Peru: as culturas locais são um plus além das belas paisagens

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Eleja um tema central

Já vi roteiros superinteressantes pela América do Sul baseados em alguns interesses do viajante: desde viagens focadas nos campeonatos regionais de futebol, até viagens de carro, roteiros por cervejarias artesanais, terminando em buscas pelas histórias dos povos pré-hispânicos.

Qual seu assunto favorito? Ou quais paisagens ou cidades você tem mais curiosidade em conhecer? Da Patagônia argentina e chilena, a Machu Picchu, passando pelo Salar do Uyuni e Atacama, viajar pela América do Sul é um dos roteiros mais prazerosos que você pode vivenciar, desde que leve um fator em consideração: planejamento.

Salar de Uyuni: lindo e um dos destinos mais procurados da América do Sul, uma ótima escolha para esticar a partir do Deserto de Atacama

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Pesquise bem a logística da sua viagem antes de comprar a passagem aérea

Sem considerar a imensidão desse trecho do nosso continente, ainda temos uma certa deficiência em termos logísticos e de transporte. Nem todos os destinos são acessados facilmente de carro, avião, ônibus ou quiçá de trem. Por isso, esse detalhe chamado pesquisa é tão importante nessa hora.

“Eu consigo sair de Machu Picchu e chegar rapidamente em Galápagos? No mapa parecem tão pertinho”. Infelizmente não consegue, não. Ainda não existem rotas diretas ou com apenas uma conexão saindo de Cusco até a ilha mais famosa do Equador.

Outra pergunta muito frequente que me fazem é se existe um trem de Lima até Machu Picchu ou se vale a pena encarar 30 horas de ônibus nesse trecho, já que a passagem de avião não se encontra a preços convidativos.

Todas essas dúvidas podem ser sanadas se investirmos mais tempo na etapa de planejamento antes mesmo de comprar a passagem aérea. Afinal, não faz muito sentido comprar uma passagem para Lima ou Buenos Aires se você tem planos de viajar entre Santiago e Atacama, certo?

Arte urbana em Buenos Aires

Arte urbana em Buenos Aires

Questões de segurança

Você deve ter visto pipocar na sua timeline no Facebook alguns textos falando sobre duas viajantes argentinas que foram encontradas mortas no litoral do Equador. Essa tragédia levantou uma comoção na comunidade viajante internacional e resultou em manifestos importantíssimos como este aqui e acendeu uma luz amarela em nosso radar: é seguro viajar pela América do Sul?

É seguro, sim, mas como diriam nossas mães, um casaco, uma dose de cuidado e canja de galinha não fazem mal a ninguém, não é? Então tome sempre cuidado com seus pertences, não dê bobeira com câmbio na rua ou esquemas no paralelo (essas ideias nunca me agradaram) e, na dúvida, confirme com o pessoal do seu hotel se é tranquilo caminhar a noite por tal região e não se esqueça de pesquisar sobre taxis e possíveis golpes.

Nesses anos todos de estrada pela América do Sul, sempre segui essas dicas e nunca tive grandes dores de cabeça.

Moedas e câmbio

O câmbio geralmente é um fator que nos deixa de cabelo em pé. A ausência de uma moeda unificada como o euro e as constantes flutuações cambiais, como é o caso da Argentina e atualmente do Brasil, dificultam um bocado nosso planejamento orçamentário.

Eu começo a pesquisa jogando uma combinação básica de palavrinhas no Google: “qual moeda levar para tal país” e, a partir daí traço meu planejamento. Mesmo em épocas instáveis como hoje, não abro de dois confortos: usar o cartão de crédito e fazer saque internacional da conta corrente em moeda local. Isso evita aquela tensão de ter que viajar com um bocado de notas escondidas na doleira.

Também nunca escorreguei na tentação do câmbio paralelo. Não me sinto confortável trocando dinheiro na rua ou em qualquer lugar, mesmo sendo indicados por outros viajantes.

Em último caso, leve dólares. Não tem erro: você sempre consegue trocar dólares nas casas de câmbio e muitos hotéis e passeios também aceitam a moeda, algumas com cotações mais favoráveis.

Qual é a melhor época para viajar?

As condições climáticas podem variar, e muito, ao longo dos diferentes países da América do Sul. Do clima da Amazônia à aridez do deserto do Atacama, passando pela neve nos Andes, é importante avaliar se a época escolhida corresponde ao melhor período para visitar os destinos elegidos.

O clima pode ser um fator determinante entre uma excelente experiência de viagem e outra nem tão boa assim se você for pego de surpresa por uma forte chuva ou até por uma nevasca.

 

Natalie Soares
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Natalie Soares

Autora chez Viajando - Expedia Brasil
Pós-graduada em Mídias Sociais pela FAAP, é autora do blog de viagem e tecnologia Sundaycooks e fundadora da ABBV (Associação Brasileira de Blogs de Viagem). Atualmente trabalha como editora de conteúdo online e vive fazendo planos para a próxima viagem.
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