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Bali: tudo para a sua primeira visita

Comecei a pesquisar sobre Bali logo que cogitei em passar dez dias por lá. Porém, as pesquisas me levaram à uma constatação: Bali já não era mais o lugar paradisíaco que um dia foi. A dúvida veio junto com a descoberta: ir ou não ir para Bali. Entre desistências e desânimos, acabei decidindo ir ver com meus próprios olhos o que Bali é afinal.

Cheguei no aeroporto de Dempassar já passavam das 23h. A chegada é caótica. Muitos voos, muitos motoristas e shuttles esperando os viajantes, fila gigante para a imigração, que você não sabe se o cara que te atendeu está te recebendo bem ou se está tirando sarro da sua cara.

Campos de arroz em Ubud (Foto: Lalai Persson)

Campos de arroz em Ubud (Foto: Lalai Persson)

Sobre Bali

Bali é hinduísta e a religião é levada à sério por lá. Nada de carne de vaca, nada de circular dentro de templos, mesmo que sejam apenas ruínas, de forma inadequada. Ombros e pernas sempre cobertas. A cultura é riquíssima com suas danças, religiosidade e oferendas diárias enfeitando feitas na entrada de estabelecimentos comerciais e casas. Elas estão em todos os lugares. São as Canang Saris, oferendas feitas em cestinhas de folha de palmeira preenchidas com alimentos como arroz, banana, além de flores, incenso e uma moeda.

Os balineses veneram Brahma, o criador do universo, que representa a mente cósmica; Shiva, o poder da destruição ou transformação e Vishnu, o poder da manutenção do universo. A divindade máxima, porém, é o deus supremo Sang Hyang Widhi Wasa.

Outra curiosidade refere-se ao nome das pessoas, pois na ilha os bebês ganham seu nome de acordo com a ordem de nascimento: o primogênito, sendo menino ou menina, pode se chamar Wayan, Putu ou Gede; o segundo filho, Kaked ou Made; o terceiro, Nyoman ou Komang; já o quarto tem apenas uma opção, Ketut. Se vier um quinto, retorna a sequência inicial.

Oferendas balinesas (Foto: Lalai Persson)

Oferendas balinesas (Foto: Lalai Persson)

Uma das coisas impressionantes em Bali é a questão do lixo. Não há como passar incólume pelo assunto. Como disse uma amiga antes de eu ir para lá, “em Bali nós vemos o que estamos fazendo com nosso planeta”. A ilha tem um grande problema com lixo, especialmente na época das monções, quando a chuva escancara a céu aberto o problema, especialmente nas praias. O paraíso esperado acaba não sendo exatamente um paraíso, mas sim montanhas de lixo, que se espalham por suas areias escuras. A parte boa é que é perceptível o movimento para mudar esse quadro. Canudo de plástico? Praticamente não existe e esse é só uma pontinha de um problema maior. Não há como não ter um choque quando se pisa na areia de suas praias pela primeira vez. Ainda assim, não desista de Bali, pois há muito além disso para ver.

E há uma coisa muito especial em Bali: o povo, um dos mais simpáticos que eu já conheci.

Faça toda a massagem balinesa que conseguir. Vale muito a pena! É ótima, barata e traz todo o relaxamento que a gente precisa para recuperar as energias antes de voltar para casa.

Templo em Ubud (Foto: Lalai Persson)

Templo em Ubud (Foto: Lalai Persson)

A moeda

A moeda é a rúpia, que tem valor baixíssimo, 10.000 IDR (Rúpia da Indonésia) = R$ 2,50. A primeira dica é: tenha dinheiro vivo, pois muitos lugares não aceitam cartão de crédito, inclusive passeios com guias, motoristas para viagens mais longas e pequenos restaurantes.

Caso chegue no aeroporto e não tenha dinheiro local, faça um saque inicial por lá mesmo. E, cuidado com caixas eletrônicos, pois clone é algo que acontece com frequência. Também já vale comprar chip para o celular logo na saída do desembarque.

A chegada

A primeira dica é: tente agendar um motorista previamente para buscar você no aeroporto. Bali é o tipo de lugar em que negociações com taxistas podem sempre ser extenuante. Contactei um motorista que me indicaram, que me cobrou 350.000 rúpias para me levar do aeroporto à Ubud, meu primeiro destino na ilha, numa viagem de 1h30.

Andando para lá e para cá

Bali pode ser um lugar muito fácil para transitar aos que se saem bem em cima de duas rodas. Por lá o transporte oficial é a motocicleta. Eu, que não nasci exatamente para este veículo, acabei refém de Uber e mototáxi. O trânsito é um caos e completamente parado a qualquer hora do dia. Percorrer 30km pode levar duas horas de carro.

Alugar uma scooter com capacetes (exija sempre) custa menos de US$ 10 a diária e pode ser feito com a ajuda do hotel onde ficar hospedado.

Onde ficar

Ubud

Esse foi meu primeiro dilema quando soube que as praias já não eram tão limpas, eu estava em época de monções e relaxar era tudo o que eu queria. Ao invés de me mandar para o litoral, optei por começar por Ubud, cidade que fica no meio das montanhas da ilha. Ubud é paraíso dos iogues, da alimentação vegana e vegetariana, dos hippies, mas não é só isso. Ubud é mágico.

É uma cidade pequena com parte da população formada por expatriados, possível de entender o porquê depois de passar alguns dias por lá. É um dos lugares mais baratos em que estive, a cidade onde melhor comi na vida e, finalmente, relaxei.

Não tem praia, mas tem vulcões, campos de arroz, floresta de macacos, templos e mais templos, afinal Bali é sobre templos, que se espalham ao longo de ruas e também lugares ermos. Muitos dos templos estão em residências particulares, restaurantes, hotéis, spas.

Potato Head Beach Club Seminyak (Foto: Lalai Persson)

Potato Head Beach Club Seminyak (Foto: Lalai Persson)

A grande maravilha em Ubud é a rede hoteleira com belíssimos resorts, que oferecem deliciosos cafés da manhã a la carte, spas e, muitas vezes, visitas para os arrozais. Os preços são super convidativos. É possível ficar em hotéis cinco estrelas por R$600 a noite, mas nem precisa tanto, pois há hotéis dignos de cinco estrelas por R$150 a noite.

Cuidado na hora de escolher, pois há muitos hotéis que não ficam na área central ou nos arredores dela. Os hotéis oferecem shuttle para o centro quando não ficam nele, mas aí você fica preso à horários.

Ubud vale muito a visita. É o tipo de lugar que a gente só entende quando estamos nele. Bons restaurantes não faltam e passeios também não. A minha melhor descoberta foi o Sepeda Bali, uma pequena empresa de ciclismo comandada pelo simpático Wayan, que fala um bom Inglês, tem uma cultura e conhecimento local muito rico, e vai proporcionar passeios muito únicos, seja de mountain bike ou com caminhadas. Os passeios começam no início da manhã e vão até quase o fim da tarde, proporcionando visitas a lugares menos óbvios e conhecidos. O almoço é feito na casa dos pais do Wayan, o que torna o passeio ainda mais especial, além de visitas à plantação de café e paradas para comer frutas locais fresquinhas. O Wayan faz também passeios personalizados de acordo com o que a pessoa quer conhecer. Valeu cada centavinho dos R$ 150 pagos, que incluíram alimentação, transfer do hotel e os passeios, além do ótimo papo e do bom-humor do Wayan.

Lugares imperdíveis na região são o Tegallang Rice Terrace; a cachoeira Air Terjun Tukad Cepung, uma das mais lindas que já visitei; o vulcão Mt. Batur, onde dizem que o pôr-do-sol é de chorar de tão lindo; a Ada Garuda Gallery para conhecer as esculturas monumentais de madeira feitas pelo artista Made Ada e, quem sabe, comprar suas lindas máscaras de madeira; o Templo Mãe de Besakih, um dos mais imponentes da região; Templo Tirta Empul, construído no ano 960 e hoje considerado patrimônio da humanidade, onde é possível fazer um ritual de purificação em suas águas sagradas; o Ubud Water Palace – Puri Saraswati, no meio da cidade, é também belíssimo e vale a visita.

Vanessa e Lalai celebrando no Potato Head

Vanessa e Lalai celebrando no Potato Head

Come-se muito bem em Ubud, mas o ideal é sair das principais avenidas, onde ficam os restaurantes mais turísticos e caros. A cidade é ótima para um detox alimentar à base de comida crua, a “raw food”, feita de forma muito criativa. Os restaurantes Alchemy e The Seeds of Life são ótimas opções e pode surpreender quem não dá a mínima para comida vegana. Quem quiser uma comida típica balinesa, o Warung Biah Biah, é bem central, e tem pratos e sucos deliciosos.

Quem curte yoga, o The Yoga Barn é parada obrigatória. Iogues do mundo inteiro visitam a escola. Para quem se interessa ao tema Educação, a Green School é impressionante tanto pela sua arquitetura feita toda de bambu com salas de aulas abertas, quanto (principalmente) pelo conceito educacional aplicado.

Praias

Como falei, as praias mais populares ao sul da ilha estão cheias de lixo e mal cuidadas. Já as cidades são charmosas, cheias de campos de arroz, jardins e seu povo sorridente. Canggu, Seminyak e Uwalu são as mais procuradas. Eu escolhi a primeira para ficar. A minha primeira surpresa foi assistir o pôr-do-sol com o mar cheio de surfistas. É uma imagem linda.

Mas pegar praia por ali mesmo não rola, a não ser que sua onda seja surfar. A boa pedida é escolher um beach club para chamar de seu e passar o dia tomando bons drinks à beira da piscina.

Claro que há praias ainda de cair o queixo nos arredores de Bali, mas elas são mais distantes. Quem gosta de mergulhar e procura por um pequeno paraíso, como Nusa Penida, onde todo o seu imaginário sobre lugares paradisíacos ficará feliz com o que vai ver. O jeito mais fácil para chegar lá é pegar um barco na praia Sanur, em Dempassar.

As ilhas Gili também possui praias paradisíacas, onde mergulhando com um snorkel você poderá nadar com tartarugas marinhas. Gili fica é formada por três pequenas ilhas: Gili Trawangan, Gili Meno e Gili Air. Elas ficam no mar entre Bali e Lombok. As ilhas oferecem hospedagens para todos os bolsos, vida noturna e, claro, praias lindas de tirar o fôlego.

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Lalai Persson

Lalai Persson

Autora chez Viajando - Expedia Brasil
Lalai Persson é DJ e produziu festas por 5 anos em São Paulo, trabalhou por 10 anos com publicidade, é uma das co-fundadoras da agência Remix Social Ideas, além de ser curadora da área de música de eventos como youPIX e Campus Party. É blogueira desde o início de 2000 e em 2013 criou o Chicken or Pasta, site de lifestyle de viagens. Atualmente está na estrada sempre que possível.
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